{"id":791,"date":"2011-05-31T11:38:48","date_gmt":"2011-05-31T14:38:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/?p=791"},"modified":"2011-06-04T12:11:08","modified_gmt":"2011-06-04T15:11:08","slug":"sobre-os-limites-entre-noticia-e-mercadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/2011\/05\/31\/sobre-os-limites-entre-noticia-e-mercadoria\/","title":{"rendered":"Sobre os limites entre not\u00edcia e mercadoria"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000\"><strong>Giovani Vieira Miranda<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><em> <\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">O jornalista da Rede Bandeirantes Boris Casoy acusou a Pol\u00edcia do Rio de Janeiro de favorecer o jornalismo da Rede Globo com um <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XGagjtN6zBs\">v\u00eddeo<\/a> in\u00e9dito e exclusivo do assassino Wellington Menezes de Oliveira, exibido pelo \u201cJornal Nacional\u201d em 12 de maio. No v\u00eddeo, gravado dois dias antes da chacina em Realengo (zona oeste do Rio de Janeiro), o atirador revela as raz\u00f5es que o fizeram planejar o massacre da escola Tasso da Silveira, no qual doze estudantes foram mortos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Durante a edi\u00e7\u00e3o ao vivo do \u201cJornal da Noite\u201d, o jornalista da Band comentou: \u201cesses v\u00eddeos de interesse p\u00fablico foram vazados somente para a TV Globo pela Pol\u00edcia do Rio, que s\u00f3 agora promete investigar a discrimina\u00e7\u00e3o cometida contra o restante da imprensa brasileira atrav\u00e9s desse vazamento. A pol\u00edcia do Rio deve explica\u00e7\u00f5es\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Com o coment\u00e1rio, a diretoria da Bandeirantes fez uma queixa formal \u00e0 ouvidoria da Pol\u00edcia Civil do Rio para apurar as imagens. Em nota divulgada no dia seguinte, a pr\u00f3pria pol\u00edcia disse que n\u00e3o tinha conhecimento das imagens e que iria pedir o v\u00eddeo \u00e0 emissora carioca. No entanto, segundo a <a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/ooops\/\">coluna Ooops<\/a>, de Ricardo Feltrin, a Record tamb\u00e9m negociava o v\u00eddeo com os policiais, mas, por quest\u00e3o de minutos, o furo ficou com a Globo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Mais uma vez, constata-se que a imprensa brasileira ainda n\u00e3o sabe conviver com o chamado furo jornal\u00edstico. Ser\u00e1 que a atitude da Rede Globo n\u00e3o seria tomada por qualquer outra emissora que tivesse a oportunidade de adquirir o material e exibi-lo na primeira oportunidade?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Os tradicionais, e muito discutidos, manuais de jornalismo trazem que toda e qualquer not\u00edcia deve ser apurada em todas as partes. Mas a exclusividade \u00e9 uma ambi\u00e7\u00e3o muito forte. Entregar ao leitor, ouvinte ou telespectador um determinado tema em primeira m\u00e3o \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o de qualquer ve\u00edculo jornal\u00edstico? Mas, afinal, a quem interessa o furo jornal\u00edstico? Ele realmente \u00e9 patrim\u00f4nio p\u00fablico de alguns jornalistas ou determinados ve\u00edculos informativos?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Inicialmente, a no\u00e7\u00e3o de furo j\u00e1 foi amea\u00e7ada pela internet, quando os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o passaram a funcionar como verdadeiras m\u00e1quinas copiadoras: replicam informa\u00e7\u00f5es dos outros, com ou sem checagem e cr\u00e9dito. Sem contar que a exclusividade da informa\u00e7\u00e3o deixou de ser, h\u00e1 muito tempo, uma descoberta de um ou outro jornalista. O exclusivo tornou-se moeda de troca e, cada vez mais, colabora com a transforma\u00e7\u00e3o da not\u00edcia em mercadoria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">A venda de not\u00edcias ver\u00eddicas, independente de quem a noticie, tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 um desafio. Quando a concorr\u00eancia \u00e9 elevada, necessita-se criar regras para deixar de lado os caminhos que levam ao mercado negro. Vender not\u00edcias verdadeiras sem criar um espet\u00e1culo de falsidades \u00e9 certamente uma dif\u00edcil tarefa para os jornalistas. O que n\u00e3o se pode \u00e9 deixar de lado a responsabilidade com os fatos publicados e o sensacionalismo e ignorar a cria\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios para o acesso das informa\u00e7\u00f5es. Se for para dar um furo, que ele seja conquistado da mesma forma por todos aqueles que o procura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Ano passado, durante a Copa do Mundo, uma situa\u00e7\u00e3o similar aconteceu. O ex-t\u00e9cnico da sele\u00e7\u00e3o brasileira Dunga vinha em constante atrito com a emissora, pois alegava que representava toda uma na\u00e7\u00e3o e n\u00e3o concordava em dar exclusividade a uma emissora, cedendo entrevistas coletivas e evitando regalias. Vale lembrar tamb\u00e9m que, em outras Copas, a Rede Globo costumava ter exclusividade, fazendo entrevistas dentro do quarto de jogadores da sele\u00e7\u00e3o e no \u00f4nibus em dire\u00e7\u00e3o ao est\u00e1dio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Uma coisa \u00e9 lutar para descobrir um furo de reportagem e exibir como in\u00e9dito, outra coisa \u00e9 ter favorecimento quanto a algum material ou conte\u00fado de forma no m\u00ednimo esquisita.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giovani Vieira Miranda O jornalista da Rede Bandeirantes Boris Casoy acusou a Pol\u00edcia do Rio de Janeiro de favorecer o jornalismo da Rede Globo com um v\u00eddeo in\u00e9dito e exclusivo do assassino Wellington Menezes de Oliveira, exibido pelo \u201cJornal Nacional\u201d em 12 de maio. 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