{"id":450,"date":"2010-08-30T20:45:45","date_gmt":"2010-08-30T23:45:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/?p=450"},"modified":"2010-08-30T20:45:37","modified_gmt":"2010-08-30T23:45:37","slug":"emissora-publica-de-que-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/2010\/08\/30\/emissora-publica-de-que-publico\/","title":{"rendered":"Emissora p\u00fablica, de que p\u00fablico?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000\"><strong>Douglas Calixto<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u00c9 ineg\u00e1vel que os fluxos econ\u00f4micos \u2013 e os departamentos financeiros de uma forma geral \u2013 influem sobre o cotidiano da produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica dos diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds. As pautas e as reportagens nas m\u00eddias comerciais obedecem a uma esp\u00e9cie de l\u00f3gica de mercado que privilegia os produtos que d\u00eaem retorno aos cofres da empresa, por meio de propagandas veiculadas entre os intervalos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Pensando sob essa perspectiva, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que a imprensa possa cumprir alguns preceitos b\u00e1sicos daquilo que deveria ser o papel social da m\u00eddia, tais como: agendamento de assuntos pertinentes \u00e0 esfera p\u00fablica; promo\u00e7\u00e3o da cidadania; espa\u00e7o para a pluralidade nacional etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Como reverter essa situa\u00e7\u00e3o e como fazer com que a m\u00eddia respeite os deveres de quem explora o espectro p\u00fablico s\u00e3o quest\u00f5es que devem ser melhor trabalhadas, pois ser\u00e1 nesse eixo que o Brasil encontrar\u00e1 elementos concretos para a constru\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o respons\u00e1veis com a sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Enquanto isso, uma solu\u00e7\u00e3o mais palp\u00e1vel para a cria\u00e7\u00e3o de um modelo interessante e compromissado de m\u00eddia passa e se estabelece na TV P\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Devemos pensar dessa forma, pois as televis\u00f5es p\u00fablicas (tamb\u00e9m chamadas de TVs educativas), teoricamente, n\u00e3o obedecem a mesma l\u00f3gica das demais: s\u00e3o financiadas e mantidas por esfor\u00e7os da esfera p\u00fablica e, como conseq\u00fc\u00eancia, t\u00eam autonomia suficiente para ousar e estabelecer novas e inovadoras formas de produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. Al\u00e9m de um grande espa\u00e7o para a democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, podem, tamb\u00e9m, ser locus para experimentos de novos formatos \u2013 tanto em narrativa quanto em enredo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">As TVs p\u00fablicas devem ser um espa\u00e7o para arrojo e um porto seguro para jornalistas que acreditam na boa pr\u00e1tica (sustent\u00e1vel, cr\u00edtica, intelectualizada e respons\u00e1vel com a sociedade) da Comunica\u00e7\u00e3o Social. No entanto, a conviv\u00eancia com uma dualidade acaba por prejudicar essa id\u00e9ia de \u201cporto seguro\u201d: buscar audi\u00eancia e massificar a sua produ\u00e7\u00e3o, ajudando um n\u00famero maior de pessoas a ter acesso a um bom conte\u00fado midi\u00e1tico, ou manter o n\u00edvel elevado de intelecto em sua produ\u00e7\u00e3o, afastando-se, assim, do alcance de grande parte da popula\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Para propor uma reflex\u00e3o acerca dessa quest\u00e3o, vamos partir da seguinte indaga\u00e7\u00e3o: para quem deveria ser focada a programa\u00e7\u00e3o de uma TV educativa como a TV Cultura? Para as classes populares, \u00f3rf\u00e3s de uma programa\u00e7\u00e3o densa em conte\u00fados, ou para uma \u201celite intelectualizada\u201d, capaz de assistir e compreender programas como a \u201cInven\u00e7\u00e3o do Contempor\u00e2neo\u201d ou \u201cRoda Viva\u201d?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Evidentemente que dever\u00edamos formar cidad\u00e3os com o grau de instru\u00e7\u00e3o suficiente para decidir \u2013 com seu pr\u00f3prio intelecto \u2013 se devem assistir \u00e0 novela das 8 ou a uma discuss\u00e3o fervorosa, por exemplo, acerca do Estruturalismo de Claude L\u00e9vi Strauss. Mas n\u00e3o formamos e vemos, como conseq\u00fc\u00eancia, uma sociedade inteira passiva e bestializada, educando-se e tomando os seus rumos conforme os trejeitos dos her\u00f3is e os vil\u00f5es criados na teledramaturgia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Pelo bem de nossa sociedade, as emissoras p\u00fablicas deveriam mudar essa l\u00f3gica de funcionamento. Os grandes conglomerados comunicacionais deitam e rolam em nossa sociedade, pois n\u00e3o encontram um contraponto inteligente e bem articulado capaz de criar uma alternativa real para os receptores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">E que fique claro: a mudan\u00e7a n\u00e3o passa por uma completa readequa\u00e7\u00e3o aos padr\u00f5es comerciais de produ\u00e7\u00e3o para TV e \u00e0 ind\u00fastria cultural, mas, sim, por pol\u00edticas estrat\u00e9gicas capazes de tornar mais \u201cdiger\u00edvel\u201d \u00e0 grande massa o excelente conte\u00fado que vemos atualmente na TV Cultura, por exemplo. Ora, esse \u00e9 o grande desafio do comunicador: transformar pautas absolutamente complexas em produtos (programas, reportagens, not\u00edcias) interessantes e capazes de serem compreendidos pela popula\u00e7\u00e3o. Com certeza, existem profissionais interessados em trabalhar nessa desafiadora plataforma. Inclusive, o autor deste texto se coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Logo, e como exerc\u00edcio de sua profiss\u00e3o, os comunicadores devem entender a diferen\u00e7a b\u00e1sica entre as emissoras p\u00fablicas e as privadas. Enquanto estas trabalham para consumidores, aquelas trabalham para cidad\u00e3os. Entendendo esse eixo, mudan\u00e7as significativas podem ocorrer na compreens\u00e3o que temos hoje da produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, que deve ser repensada.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Douglas Calixto \u00c9 ineg\u00e1vel que os fluxos econ\u00f4micos \u2013 e os departamentos financeiros de uma forma geral \u2013 influem sobre o cotidiano da produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica dos diversos meios de comunica\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds. 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