{"id":358,"date":"2010-06-29T15:17:35","date_gmt":"2010-06-29T18:17:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/?p=358"},"modified":"2010-06-29T16:26:46","modified_gmt":"2010-06-29T19:26:46","slug":"campanhas-eleitorais-na-web-e-midias-de-massa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/2010\/06\/29\/campanhas-eleitorais-na-web-e-midias-de-massa\/","title":{"rendered":"Campanhas na web e m\u00eddias de massa"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000\"><strong>Francisco Beltrame Trento<\/strong><\/span><\/p>\n<address><span style=\"color: #000000\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span><\/address>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong> <\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Um dos grandes trunfos da campanha de Barack Obama na vit\u00f3ria de dois anos atr\u00e1s foi a inova\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o senador nas redes sociais, chegando a ter um perfil no Twitter, seguido por quase 4 milh\u00f5es de pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">No Brasil, aparentemente a tend\u00eancia est\u00e1 se repetindo. Nos \u00faltimos meses temos visto que o microblog Twitter tem se tornado uma ferramenta a mais para a participa\u00e7\u00e3o dos candidatos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es do fim deste ano, permitindo um contato mais direto, e at\u00e9 mesmo conversas virtuais com os eleitores. Os presidenci\u00e1veis Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e Jos\u00e9 Serra (PSDB) j\u00e1 est\u00e3o postando mensagens. Seus seguidores as recebem v\u00e1rias vezes ao dia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">H\u00e1 algumas discuss\u00f5es sobre a defini\u00e7\u00e3o da categoria em que se encaixaria o Twitter nos meios de comunica\u00e7\u00e3o da era p\u00f3s-moderna. Para Lance Ulanoff, jornalista da revista PCMagazine (edi\u00e7\u00e3o norte-americana), o Twitter n\u00e3o se comporta como uma rede de relacionamentos, e sim de informa\u00e7\u00e3o. Em <a href=\"http:\/\/www.pcmag.com\/article2\/0,2817,2363351,00.asp?kc=PCRSS03079TX1K0000585\" target=\"_blank\">artigo<\/a> publicado na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o deste ano, ele afirma: &#8220;O twitter n\u00e3o \u00e9 uma rede social porque n\u00e3o \u00e9 m\u00fatuo. No Facebook, voc\u00ea adiciona algu\u00e9m porque quer manter um relacionamento com essa pessoa. No Twitter, as pessoas v\u00e3o acompanh\u00e1-lo se voc\u00ea for interessante e tem informa\u00e7\u00f5es relevantes para elas, mesmo que voc\u00ea n\u00e3o as siga de volta. Isso parece muito com as raz\u00f5es das pessoas que compram a The New Yorker, assinam um jornal ou assistem a um programa jornal\u00edstico de televis\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong>Limites <\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Se na grande m\u00eddia h\u00e1 limites para tempo de exibi\u00e7\u00e3o e verbas para investimento em campanhas, no Twitter (e na internet em geral) isso parece n\u00e3o ser problema. Evidentemente, muitos v\u00e3o dizer que o servi\u00e7o possibilita a postagem de apenas 140 caracteres por vez, mas nada impede que o usu\u00e1rio escreva quantas vezes desejar, ou poste endere\u00e7os que levem a blogs e f\u00f3runs, onde pode haver ainda mais espa\u00e7o para discuss\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Os perfis nas redes sociais atuam em uma esp\u00e9cie de desconstru\u00e7\u00e3o da imagem inating\u00edvel dos conhecidos pol\u00edticos brasileiros. Atrav\u00e9s deles, \u00e9 poss\u00edvel descobrir que Dilma e Serra torceram para a escala\u00e7\u00e3o de Neymar e Ganso na sele\u00e7\u00e3o de Dunga, que o ex-governador de S\u00e3o Paulo passa as madrugadas <em>online<\/em> por causa de sua ins\u00f4nia e que Fernando Gabeira criticou a presen\u00e7a de Grafite e Josu\u00e9 no time brasileiro que disputar\u00e1 a Copa do Mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u00c9 claro, a internet ainda pode servir como escoamento para a divulga\u00e7\u00e3o de projetos pol\u00edticos e planos de governo, o que nem sempre acontece com efic\u00e1cia na grande m\u00eddia. Afinal, com as restri\u00e7\u00f5es feitas pela lei que define o hor\u00e1rio eleitoral gratuito, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel para que um partido ou coliga\u00e7\u00e3o que tenha 30 segundos di\u00e1rios expor seus desejos de mudan\u00e7as e projetos. No m\u00e1ximo, \u00e9 poss\u00edvel divulgar o nome do candidato e seu n\u00famero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong>Ressalvas<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Apesar da possibilidade de maior aproxima\u00e7\u00e3o com os candidatos, \u00e9 preciso fazer algumas ressalvas. A primeira \u00e9 que, apesar da inclus\u00e3o digital e da vasta utiliza\u00e7\u00e3o de redes sociais pelos brasileiros no \u00faltimo ano, o Twitter ainda \u00e9 restrito a uma elite, de pouca abrang\u00eancia efetiva, ainda que parte dela seja composta por formadores de opini\u00e3o. Mesmo o Brasil sendo o terceiro lugar do ranking do tempo gasto pelos usu\u00e1rios de internet em redes sociais, como aponta <a href=\"http:\/\/blog.nielsen.com\/nielsenwire\/global\/led-by-facebook-twitter-global-time-spent-on-social-media-sites-up-82-year-over-year\/\" target=\"_blank\">pesquisa<\/a> feita pelo instituto Nielsen em dezembro de 2009, o Orkut ainda reina absoluto, com 70%. O Twitter, at\u00e9 o fim do ano passado, n\u00e3o passava dos 5%. Ainda h\u00e1 outro afunilamento: dessa pequena porcentagem, grande parte se restringe a seguir perfis de celebridades ou amigos pessoais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Outra observa\u00e7\u00e3o a ser feita \u00e9 que, apesar de a comunica\u00e7\u00e3o pela web transmitir a impress\u00e3o de maior transpar\u00eancia e espontaneidade, n\u00e3o demorar\u00e1 muito para que servi\u00e7os de <em>media training<\/em>, t\u00e3o conhecidos na cria\u00e7\u00e3o da imagem dos candidatos na TV e no r\u00e1dio, decretem uma esp\u00e9cie de \u201cetiqueta\u201d para a atua\u00e7\u00e3o dos eleg\u00edveis no microblog, com t\u00e9cnicas psicol\u00f3gicas para atrair a simpatia e os votos dos internautas. Ali\u00e1s, ser\u00edamos ing\u00eanuos demais ao pensar que isso j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 sendo aplicado nas elei\u00e7\u00f5es deste ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Tamb\u00e9m \u00e9 interessante analisar a forma como os meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais \u201cretransmitem\u201d as informa\u00e7\u00f5es das p\u00e1ginas pessoais destes sites de relacionamento. Uma parte das not\u00edcias divulgadas n\u00e3o \u00e9 de interesse p\u00fablico. Sim, como j\u00e1 foi dito, alguns detalhes difundidos no Twitter ajudam a construir uma imagem mais pr\u00f3xima entre eleitores e candidatos, mas \u00e9 preciso deixar claro que a prioridade ainda \u00e9 (e sempre foi) das propostas pol\u00edticas e legislativas. Temo que infelizmente a grande m\u00eddia esteja aproveitando somente o primeiro tipo de coment\u00e1rio, prejudicando o enorme potencial informativo de interesses p\u00fablicos que essas ferramentas poderiam levar \u00e0 sociedade.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Beltrame Trento Um dos grandes trunfos da campanha de Barack Obama na vit\u00f3ria de dois anos atr\u00e1s foi a inova\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o senador nas redes sociais, chegando a ter um perfil no Twitter, seguido por quase 4 milh\u00f5es de pessoas. No Brasil, aparentemente a tend\u00eancia est\u00e1 se repetindo. Nos \u00faltimos meses [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[37,39,40],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=358"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":418,"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/358\/revisions\/418"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}