{"id":2148,"date":"2019-06-27T23:14:31","date_gmt":"2019-06-28T02:14:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/?p=2148"},"modified":"2019-06-27T23:29:31","modified_gmt":"2019-06-28T02:29:31","slug":"influenciadores-digitais-versus-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/2019\/06\/27\/influenciadores-digitais-versus-jornalismo\/","title":{"rendered":"Influenciadores digitais e o poder do jornalismo profissional"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #000000\">\u2016 \u2016 \u2016\u00a0Vin\u00edcius Lauriano Ferreira\u00a0\u2016 \u2016 \u2016\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Na hora de formar opini\u00e3o, a influ\u00eancia dos youtubers, tamb\u00e9m chamados atualmente de influenciadores digitais, s\u00f3 perde para a fam\u00edlia e os amigos. \u00c9 o que mostra <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"https:\/\/www.thinkwithgoogle.com\/intl\/pt-br\/advertising-channels\/v%C3%ADdeo\/creators-connect-o-poder-dos-youtubers\/\" target=\"_blank\">levantamento<\/a> <span style=\"color: #000000\">da Google<\/span><\/span>\u00a0no qual os entrevistados foram convidados a selecionar \u201cquais s\u00e3o as pessoas que mais influenciam sua opini\u00e3o\u201d. A <em>fam\u00edlia<\/em> vence, com 43,1% das escolhas, seguida dos <em>amigos<\/em>, com 34,8%. Logo ap\u00f3s surgem os <em>youtubers<\/em>, com 20%, logo \u00e0 frente de ningu\u00e9m menos que <em>jornalistas e not\u00edcias<\/em>, com 19,1%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u00c9 ineg\u00e1vel o crescimento quantitativo e qualitativo das redes sociais enquanto pontos de refer\u00eancia para adquirir informa\u00e7\u00f5es em todas as \u00e1reas. Quando se trata do portal de v\u00eddeo YouTube, o Brasil tem sido terreno f\u00e9rtil: j\u00e1 figura com dois canais entre os 15 mais acessados do mundo, de acordo com o mesmo levantamento: o da produtora musical Kondzilla \u2013 especializada em clipes de m\u00fasica funk, em especial \u2013, com 45 milh\u00f5es de inscritos, e o de Whindersson Nunes, com 34 milh\u00f5es, segundo o levantamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">A pesquisa aponta as poss\u00edveis raz\u00f5es para que tais canais sejam tidos como fontes de informa\u00e7\u00e3o: o fato de estarem conectados numa mesma rede, e n\u00e3o numa difus\u00e3o unilateral de informa\u00e7\u00f5es; a possibilidade de sempre encontrar conte\u00fados e assuntos referentes ao gosto do espectador; e ainda a no\u00e7\u00e3o de que quem assiste est\u00e1 de certa forma engajado com o youtuber, diferente de quem zapeia despretensiosamente pela programa\u00e7\u00e3o televisiva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">A ultrapassagem dos youtubers em rela\u00e7\u00e3o aos jornalistas na confiabilidade das informa\u00e7\u00f5es traz impl\u00edcita uma dicotomia entre quem atua nos meios tradicionais, que v\u00ea estes novos meios com retic\u00eancia e at\u00e9 preconceito. O tipo de informa\u00e7\u00e3o transmitido, o modo muitas vezes amador \u2013 em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem midi\u00e1tica tradicional \u2013 e a falta de forma\u00e7\u00e3o formal dos influenciadores s\u00e3o as principais causas de avers\u00e3o. O que n\u00e3o se percebe, por\u00e9m, \u00e9 que, desse modo, perdem a oportunidade de tentar tra\u00e7ar e entender esse novo tipo de rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u00c9 o que afirma a pesquisadora L\u00edgia Trigo, vice-coordenadora do Com+ &#8211; Grupo de Pesquisa em Comunica\u00e7\u00e3o, Jornalismo e M\u00eddias Digitais, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Em <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/seer.uscs.edu.br\/index.php\/revista_comunicacao_inovacao\/article\/view\/5031\" target=\"_blank\">artigo de 2018<\/a><\/span> na revista <em>Comunica\u00e7\u00e3o &amp; Inova\u00e7\u00e3o<\/em>, ela aponta a falta de presen\u00e7a de jornalistas e ve\u00edculos especializados em sa\u00fade tratando do tema na plataforma de v\u00eddeos. \u201cA estrat\u00e9gia de agregar audi\u00eancias e diversificar as formas de distribui\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados produzidos n\u00e3o tem levado em conta a grande audi\u00eancia dessa plataforma e sua relev\u00e2ncia no cen\u00e1rio da comunica\u00e7\u00e3o digital no Brasil\u201d, afirma ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Por outro lado, o jornalista que v\u00ea com desd\u00e9m a a\u00e7\u00e3o dos influenciadores n\u00e3o consegue perceber o dif\u00edcil caminho trilhado por eles at\u00e9 chegarem ao status que possuem. \u201cTornar-se um influenciador digital \u00e9 percorrer uma escalada: produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado; consist\u00eancia nessa produ\u00e7\u00e3o (tanto tem\u00e1tica quanto temporal); manuten\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es, prest\u00edgio em uma comunidade e, por fim, influ\u00eancia\u201d, afirma a pesquisadora Issaaf Karhawi, do mesmo grupo da USP. Em <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/ebooks.pucrs.br\/edipucrs\/acessolivre\/anais\/abrapcorp\/assets\/edicoes\/2017\/arquivos\/15.pdf\" target=\"_blank\">artigo<\/a> <span style=\"color: #000000\">apresentado<\/span><\/span> no Congresso Brasileiro de Comunica\u00e7\u00e3o Organizacional e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (Abrapcorp) de 2017, ela tra\u00e7a um perfil dos influenciadores digitais e busca entender seus perfis \u00e0 luz das teorias de Michel Foucault e Pierre Bourdieu, por exemplo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u00c9 a mesma conclus\u00e3o alcan\u00e7ada pelos pesquisadores Bruna Motta, Ma\u00edra Bittencourt e Pablo Viana, em\u00a0<span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/e-compos.emnuvens.com.br\/e-compos\/article\/view\/1013\/794\" target=\"_blank\">artigo<\/a><\/span> publicado na <em>E-Comp\u00f3s<\/em> em 2014: \u201cA possibilidade que indiv\u00edduos interconectem-se atrav\u00e9s da rede permite que o usu\u00e1rio adentre espa\u00e7os antes inacess\u00edveis\u201d, afirmam eles. \u201cAdmite que ele possa dar sua opini\u00e3o de forma mais ativa, sem necessitar que algu\u00e9m ou algo aprove sua participa\u00e7\u00e3o, como acontecia nos meios tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o, dotados de equipes respons\u00e1veis por filtrar os conte\u00fados (<em>gatekeepers<\/em>) a serem veiculados\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Vale lembrar que nos \u00faltimos meses viu-se uma escalada tamb\u00e9m pol\u00edtica a favor do uso das m\u00eddias sociais como fonte de informa\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas ao jornalismo tradicional. Os tais <em>gatekeepers<\/em> s\u00e3o cada vez mais vistos por uma parcela da popula\u00e7\u00e3o como um defeito do jornalismo, e n\u00e3o uma vantagem. \u201cManipuladores\u201d tornou-se express\u00e3o frequentemente ouvida para se referir aos grupos de jornalismo tradicionais. Pululam canais que fazem um jornalismo \u201cdireto\u201d, com evidente desprezo pela ideia de n\u00e3o assumir lados, de checar vers\u00f5es e fatos ou de se atentar ao verdadeiro interesse p\u00fablico e ao seu papel de informar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">De qualquer modo, o que os pesquisadores citados sugerem \u00e9 que aquela porcentagem divulgada pelo levantamento da Google possui um significado concreto, que ter\u00e1 de ser compreendido e aplicado em transforma\u00e7\u00f5es no jornalismo tradicional. A a\u00e7\u00e3o dos novos influenciadores precisa ser acompanhada de perto por aqueles que h\u00e1 muito mais tempo est\u00e3o acostumados a informar as pessoas, bem como implicar questionamentos das bases que fundamentaram o jornalismo at\u00e9 os dias atuais.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2016 \u2016 \u2016\u00a0Vin\u00edcius Lauriano Ferreira\u00a0\u2016 \u2016 \u2016\u00a0 &nbsp; Na hora de formar opini\u00e3o, a influ\u00eancia dos youtubers, tamb\u00e9m chamados atualmente de influenciadores digitais, s\u00f3 perde para a fam\u00edlia e os amigos. \u00c9 o que mostra levantamento da Google\u00a0no qual os entrevistados foram convidados a selecionar \u201cquais s\u00e3o as pessoas que mais influenciam sua opini\u00e3o\u201d. 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