{"id":2092,"date":"2017-06-30T17:16:18","date_gmt":"2017-06-30T20:16:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/?p=2092"},"modified":"2017-08-18T17:20:00","modified_gmt":"2017-08-18T20:20:00","slug":"do-veu-a-voz-a-luta-pela-igualdade-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/2017\/06\/30\/do-veu-a-voz-a-luta-pela-igualdade-de-genero\/","title":{"rendered":"Do v\u00e9u \u00e0 voz: a luta global por igualdade de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #000000\">\u2016 \u2016 \u2016\u00a0Clara Tadayozzi\u00a0\u2016 \u2016 \u2016\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Em todo o mundo, \u00e9 not\u00e1vel a diferen\u00e7a de tratamento, valor e reconhecimento atribu\u00eddos aos homens e \u00e0s mulheres. As sociedades de modo geral se consolidaram conforme um padr\u00e3o essencialmente machista e patriarcal que se reflete na atualidade. No entanto, a luta incessante de mulheres pela igualdade de g\u00eanero vem gradualmente alterando esse cen\u00e1rio, atrav\u00e9s da conquista de direitos leg\u00edtimos e fundamentais que j\u00e1 deveriam ser garantidos a esse grupo considerado uma minoria \u2013 n\u00e3o em quest\u00e3o de n\u00famero, mas de representatividade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Essa conquista, por\u00e9m, se constr\u00f3i de modo diferente em cada na\u00e7\u00e3o, tendo em vista a variedade de culturas existentes no mundo. Em alguns pa\u00edses, como o Afeganist\u00e3o, considerado um dos lugares mais perigosos \u00e0s mulheres, direitos b\u00e1sicos s\u00e3o considerados crimes, e s\u00e3o punidos por meio de a\u00e7\u00f5es atrozes majoritariamente direcionadas ao p\u00fablico feminino. Alguns desses \u2018crimes\u2019, segundo a pr\u00e1tica cultural do pa\u00eds, se enquadrariam na recusa de um casamento for\u00e7ado, em uma rela\u00e7\u00e3o desaprovada pela fam\u00edlia, na v\u00edtima de viola\u00e7\u00e3o, na vestimenta considerada inapropriada, na homossexualidade, no div\u00f3rcio, adult\u00e9rio ou ren\u00fancia a uma f\u00e9.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">V\u00ea-se, pois, que o conservadorismo e a misoginia ainda ostensivos no Afeganist\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 violam os direitos das mulheres, mas aqueles relativos ao ser humano. Uma estimativa do <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/www.unfpa.org\/\" target=\"_blank\">Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a><\/span> indica que cerca de 5 mil mulheres morrem todo ano no mundo devido a puni\u00e7\u00f5es brutais, como apedrejamento, apunhalamento, espancamento, queima, decapita\u00e7\u00e3o, enforcamento, corte da garganta, ataques com \u00e1cido, tiro e estrangulamento. E esse n\u00famero ainda \u00e9 considerado extremamente baixo, se cogitado o fato de que muitos desses crimes n\u00e3o s\u00e3o relatados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Os sinais de radicalismo deixados pelo governo do Talib\u00e3, movimento fundamentalista isl\u00e2mico, ainda s\u00e3o facilmente observados, embora esse dom\u00ednio tenha durado de 1996 a 2001 no Afeganist\u00e3o. Entretanto, alguns indicadores de mudan\u00e7a come\u00e7am a despontar nesse pa\u00eds, como a inser\u00e7\u00e3o da mulher na m\u00eddia, na pol\u00edtica e nos neg\u00f3cios, assim como a insurg\u00eancia de leis que protegem os direitos das mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Esses avan\u00e7os s\u00e3o resultado do ativismo de mulheres dispostas a mudar a realidade em que se inserem, apesar de muitas vezes essa determina\u00e7\u00e3o significar at\u00e9 mesmo uma amea\u00e7a de morte. Inspirada na garra dessas mulheres, a cineasta <a style=\"color: #000000\" href=\"https:\/\/twitter.com\/robertastaley\">Roberta Staley<\/a>, de Vancouver, produziu um document\u00e1rio, registrando o esfor\u00e7o de tr\u00eas figuras inspiradoras na luta pela igualdade de g\u00eanero no Afeganist\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong>M\u00eddia que transforma<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/www.mightierthanthesword.ca\/\" target=\"_blank\"><em>Mightier Than The Sword<\/em><\/a><\/span> (Mais poderoso do que a espada) \u00e9 um document\u00e1rio de uma hora de dura\u00e7\u00e3o que retrata a jornada de mulheres que trabalham na m\u00eddia em prol da igualdade de g\u00eanero e da reivindica\u00e7\u00e3o de direitos \u00e0s mulheres. Ap\u00f3s a queda dos talib\u00e3s, um avan\u00e7o significativo foi a entrada da mulher no universo midi\u00e1tico, que passou a ser sua porta para a visibilidade e express\u00e3o. Hoje mulheres afeg\u00e3s ocupam cargos de rep\u00f3rteres, diretoras, escritoras, produtoras e poetas, ampliando sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u201cAs mulheres afeg\u00e3s s\u00e3o guerreiras\u201d, diz Staley em seu <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/www.mightierthanthesword.ca\/videos\/\" target=\"_blank\">v\u00eddeo<\/a><\/span> de divulga\u00e7\u00e3o do filme. \u201cE, desta vez, seu campo de batalha \u00e9 a m\u00eddia. Uma das maiores realiza\u00e7\u00f5es da ocupa\u00e7\u00e3o ocidental foi a cria\u00e7\u00e3o de uma m\u00eddia livre e independente. No jornalismo impresso, ou no telejornalismo, em filmes e document\u00e1rios, a luta se opondo \u00e0 cultura do sil\u00eancio e da invisibilidade continua. A nova m\u00eddia afeg\u00e3 est\u00e1 disseminando hist\u00f3rias de mulheres e transformando percep\u00e7\u00f5es sobre a fun\u00e7\u00e3o delas na sociedade\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">A produtora registra em sua obra as trajet\u00f3rias de tr\u00eas mulheres que militam pela igualdade de g\u00eanero e liberdade de express\u00e3o: a jovem cineasta <a style=\"color: #000000\" href=\"https:\/\/twitter.com\/sahar_fetrat?lang=en\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #0000ff\">Sahar Fetrat<\/span>,<\/a> a rep\u00f3rter de TV <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/www.huffingtonpost.com\/unveiling-afghanistan\/shakila-ibrahimkhalil-we_b_4874529.html\" target=\"_blank\">Shakila Ibrahimkhail<\/a><\/span> e a cantora e apresentadora <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"https:\/\/twitter.com\/mozhdah\" target=\"_blank\">Mozhdah Jamalzadah<\/a><\/span>. Staley gravou o document\u00e1rio no Afeganist\u00e3o em 2015 e conta que teve de hipotecar seu apartamento para terminar o filme, no qual investiu mais de US$ 80 mil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong>Vozes necess\u00e1rias<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Iniciativas como a de Roberta Staley contribuem significativamente para a conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil acerca dos avan\u00e7os e desafios encarados pela mulher afeg\u00e3 diariamente. Expor a batalha travada por essas corajosas mulheres \u00e9 dar reconhecimento ao seu esfor\u00e7o em busca de uma sociedade melhor e mais igualit\u00e1ria para se viver.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">A figura feminina nas plataformas de comunica\u00e7\u00e3o se fortalece e contesta opini\u00f5es conservadoras e mis\u00f3ginas, revelando as barbaridades frequentemente cometidas \u00e0s mulheres, como expressa a m\u00fasica de Mozhdah <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/dilnawazmusic\/dokhte-watan-mozhdah-ft-eman-tribute-to-farkhunda\" target=\"_blank\"><em>Tribute to Farkhunda<\/em><\/a><\/span> (Tributo a Farkhunda), que homenageia uma mulher de 27 anos, assassinada por uma multid\u00e3o de Cabul ap\u00f3s ter sido falsamente acusada de queimar uma c\u00f3pia do Alcor\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">A necessidade de ecoar essas vozes \u00e9 urgente, para que n\u00e3o se calem para sempre tantas outras vozes n\u00e3o ditas mundo afora. O Afeganist\u00e3o est\u00e1 aqui e ali; est\u00e1 em toda parte. E as Farkhundas s\u00e3o todas aquelas de quem j\u00e1 foi tirado o direito de falar, de se impor, de escolher e ser o que bem quiser.<\/span><span style=\"color: #000000\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2016 \u2016 \u2016\u00a0Clara Tadayozzi\u00a0\u2016 \u2016 \u2016\u00a0 \u00a0 Em todo o mundo, \u00e9 not\u00e1vel a diferen\u00e7a de tratamento, valor e reconhecimento atribu\u00eddos aos homens e \u00e0s mulheres. As sociedades de modo geral se consolidaram conforme um padr\u00e3o essencialmente machista e patriarcal que se reflete na atualidade. 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