{"id":1884,"date":"2015-09-30T18:38:19","date_gmt":"2015-09-30T21:38:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/?p=1884"},"modified":"2015-10-09T18:53:58","modified_gmt":"2015-10-09T21:53:58","slug":"o-jn-o-dolar-e-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/2015\/09\/30\/o-jn-o-dolar-e-a-crise\/","title":{"rendered":"O JN, o d\u00f3lar e a crise"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #000000\">\u2016 \u2016 \u2016\u00a0Deborah Cunha Teodoro\u00a0\u2016 \u2016 \u2016 <\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u201cQuem entende um pouco de economia e viu a compara\u00e7\u00e3o que o Jornal Nacional fez entre a sa\u00fade e a taxa de c\u00e2mbio deve ter tido dor de est\u00f4mago&#8230; Um pouco de economia nos cursos de jornalismo faria bem\u201d. Com este coment\u00e1rio de um economista, doutorando na \u00e1rea e colega de doc\u00eancia, sobre a reportagem <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2015\/09\/dolar-chega-cotacao-mais-alta-da-historia-do-real-nesta-terca-22.html\" target=\"_blank\">D\u00f3lar chega \u00e0 cota\u00e7\u00e3o mais alta da hist\u00f3ria do real nesta ter\u00e7a<\/a><\/span>, exibida no Jornal Nacional da Rede Globo de Televis\u00e3o, em 22 de setembro de 2015, me vem \u00e0 tona, mais uma vez, a qualidade do jornalismo praticado pelas Organiza\u00e7\u00f5es Globo, detentoras de um dos maiores oligop\u00f3lios da comunica\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Dentro de um contexto em que se procura compreender o jornalismo e as not\u00edcias produzidas pelos profissionais deste campo, n\u00e3o h\u00e1 como recusar a vis\u00e3o do jornalismo enquanto manipulador dos fatos, que distorce os acontecimentos de acordo com interesses, muitas vezes, escusos. Afinal, se o jornalismo deve ser apreendido como uma atividade complexa e a not\u00edcia como uma constru\u00e7\u00e3o da realidade social por uma comunidade interpretativa que possui conhecimentos especializados e encontra-se inserida nas organiza\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas, o que explicaria a veicula\u00e7\u00e3o de reportagens que se mostram desprovidas de credibilidade por especialistas?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Segundo a mat\u00e9ria do JN, a taxa de c\u00e2mbio reflete a sa\u00fade econ\u00f4mica de um pa\u00eds. Se ele vai bem, a moeda fica forte (taxa de c\u00e2mbio valorizada), e quando est\u00e1 doente, a taxa de c\u00e2mbio sobe (c\u00e2mbio desvalorizado). Simpl\u00f3ria a compara\u00e7\u00e3o, que deixa de lado outros fatores a serem considerados para propiciar uma informa\u00e7\u00e3o esclarecedora ao p\u00fablico. Se analisada sob a \u00f3ptica econ\u00f4mica, a tese defendida pela rede Globo leva a crer, por exemplo, que a China, Alemanha e outros pa\u00edses ricos tamb\u00e9m est\u00e3o muito mal de sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">No \u00e2mbito da economia, algumas teorias mais antigas de determina\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio at\u00e9 relacionam a taxa com a sa\u00fade das contas p\u00fablicas, mas tal afirma\u00e7\u00e3o no contexto da reportagem em comento se mostrou equivocada e tendenciosa. \u201cO valor da moeda \u00e9 o reflexo da sa\u00fade de um pa\u00eds. Se a economia est\u00e1 forte, vigorosa, isso traz valor para a moeda, que tamb\u00e9m se fortalece. Mas quando a sa\u00fade dessa economia vai mal, a moeda fica fraca e perde valor. \u00c9 exatamente isso que est\u00e1 acontecendo com o real\u201d, diz a passagem da rep\u00f3rter Elaine Bast na mat\u00e9ria veiculada pelo telejornal mais assistido no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">O tratamento recorrente dispensado \u00e0s reportagens da editoria de economia leva ao descr\u00e9dito o teor informativo das produ\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas globais, j\u00e1 que os especialistas percebem claramente o quanto \u201cWilliam Bonner e companhia adoram falar que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ruim\u201d e, por saberem que se trata do telejornal de maior audi\u00eancia no Brasil, ressaltam que \u201cessa \u00e9 a verdadeira crise, embora poucos saibam disso\u201d. Pode-se dizer que ainda \u00e9 espantoso o grau de influ\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es veiculadas pelas Organiza\u00e7\u00f5es Globo sobre as massas, a qual se deve, em parte, ao fato de n\u00e3o haver alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica nas escolas, aquela educa\u00e7\u00e3o voltada para as crian\u00e7as aprenderem, desde cedo, a ler as m\u00eddias, algo que \u00e9 praticado, h\u00e1 tempos, em pa\u00edses como Inglaterra, Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia, mas que n\u00e3o h\u00e1 interesse em ser colocada em pr\u00e1tica por aqui. Normalmente, apenas as pessoas que fazem algum curso da \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o ou especialistas em determinadas \u00e1reas, ao assistirem a mat\u00e9rias espec\u00edficas destas \u00e1reas, conseguem perceber as manipula\u00e7\u00f5es dos grandes oligop\u00f3lios de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, como no caso analisado. \u201cO JN sempre vai criticar&#8230; Quando o c\u00e2mbio estava no patamar de 1,90, reclamava que isso prejudicava a ind\u00fastria; quando alcan\u00e7ou 2,50, reclamou que estava ficando caro viajar; agora, com 4,0, reclama de novo. Essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o deles: reclamar&#8230; Ainda bem que tem gente que se preza a pensar&#8230;\u201d, reflete o colega economista. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Com pr\u00e1ticas usuais neste sentido, fica resvalada a credibilidade da imprensa e apresenta-se comprometida a atua\u00e7\u00e3o dos profissionais de comunica\u00e7\u00e3o, uma vez que tais narrativas jornal\u00edsticas acabam violando direitos garantidos por lei, como o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, na vertente em que assegura \u00e0s pessoas o direito de receberem informa\u00e7\u00f5es ver\u00eddicas, corretas, desprovidas de interpreta\u00e7\u00f5es duvidosas ou falsas divulgadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Isso indica, ainda, que o guia de princ\u00edpios editoriais das Organiza\u00e7\u00f5es Globo, lan\u00e7ado em 2011, realmente se apresenta mais como uma esp\u00e9cie de \u201cdefesa pr\u00e9via\u201d contra regulamenta\u00e7\u00f5es externas efetivas do que como uma atitude de autorregula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia comprometida em assegurar qualidade em suas produ\u00e7\u00f5es de cunho jornal\u00edstico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Gra\u00e7as \u00e0 internet, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel perceber que alguns internautas atentos aos artif\u00edcios utilizados pela emissora n\u00e3o deixaram passar ilesa a inten\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, j\u00e1 que dois coment\u00e1rios postados no site da Globo criticam o seu teor, sugerindo que os respons\u00e1veis pela reportagem tratem o assunto com seriedade e corre\u00e7\u00e3o. \u201cTem alguma coisa estranha, talvez mal noticiado, pe\u00e7o o carinho de todos os envolvidos, para se empenharem em colocar as coisas s\u00e9rias nos lugares devidos. Sen\u00e3o causa p\u00e2nico\u201d, assina um espectador, enquanto outro adverte de forma mais incisiva: \u201cn\u00e3o \u00e9 cota\u00e7\u00e3o mais alta n\u00e3o amor, 3,98 de 10\/2002 corresponde a 9,20. A cota\u00e7\u00e3o de hoje est\u00e1 menos de metade dessa data. Considerando a infla\u00e7\u00e3o, o d\u00f3lar deve ser uns 7,00. Nenhum jornalista ou economista daqui sabe ou lembra disso a n\u00e3o ser Eu\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2016 \u2016 \u2016\u00a0Deborah Cunha Teodoro\u00a0\u2016 \u2016 \u2016 &nbsp; \u201cQuem entende um pouco de economia e viu a compara\u00e7\u00e3o que o Jornal Nacional fez entre a sa\u00fade e a taxa de c\u00e2mbio deve ter tido dor de est\u00f4mago&#8230; Um pouco de economia nos cursos de jornalismo faria bem\u201d. 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