{"id":1738,"date":"2014-11-27T22:02:10","date_gmt":"2014-11-28T01:02:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/?p=1738"},"modified":"2014-11-27T22:05:16","modified_gmt":"2014-11-28T01:05:16","slug":"comunicacao-e-genero-regulamentacao-o-denominador-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.faac.unesp.br\/blog\/obsmidia\/2014\/11\/27\/comunicacao-e-genero-regulamentacao-o-denominador-comum\/","title":{"rendered":"Regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 denominador comum de m\u00eddia e g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #000000\">\u2016 \u2016 \u2016\u00a0Emanuelly Falqueto\u00a0\u2016 \u2016 \u2016\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Quando pensamos nos direitos dos cidad\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, a aus\u00eancia de representa\u00e7\u00f5es ou retratos distorcidos nos leva a um denominador comum: a necessidade de regular os meios de comunica\u00e7\u00e3o, para conseguirmos ampliar as conquistas dos direitos humanos. As formas de regulamenta\u00e7\u00e3o que lidam com a comunica\u00e7\u00e3o como instrumento para a constru\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero s\u00e3o objeto do livro \u201cPol\u00edticas p\u00fablicas de comunicaci\u00f3n y g\u00e9nero en Am\u00e9rica Latina: um camino por recorrer\u201d, organizado pela jornalista Sandra Chaher.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">A publica\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ada pela <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/www.comunicarigualdad.com\/\" target=\"_blank\">Asociaci\u00f3n Civil Comunicaci\u00f3n para la Igualdad<\/a><\/span>, com o apoio da <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/www.fes.org.br\/\" target=\"_blank\">Funda\u00e7\u00e3o Friedrich Ebert<\/a><\/span>, est\u00e1 dispon\u00edvel online em vers\u00e3o em <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"https:\/\/dl.dropboxusercontent.com\/u\/85169404\/medios%20de%20comunicaci%C3%B3n\/pol%C3%ADticas%20p%C3%BAblicas%20final%20(web).pdf\" target=\"_blank\">espanhol<\/a><\/span> e <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/www.defensadelpublico.gob.ar\/sites\/default\/files\/comunicacion-y-genero-bilingue.pdf\" target=\"_blank\">espanhol\/ingl\u00eas<\/a><\/span>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">O texto, em espanhol, fornece instrumentos para a discuss\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o e g\u00eanero delineia um panorama sobre as regulamenta\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas p\u00fablicas de g\u00eanero na Argentina, Brasil, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico, Uruguai e Venezuela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">O ponto de partida da obra foi a conquista dos marcos regulat\u00f3rios argentinos de 2009, com a implementa\u00e7\u00e3o de duas leis: a Lei de Prote\u00e7\u00e3o Integral contra Viol\u00eancia (Ley de Protecci\u00f3n Integral de la Violencia contra las Mujeres em los \u00c1mbitos en que se Desarrollan las Relaciones Interpersonales) e a Lei de Servi\u00e7os de Comunica\u00e7\u00e3o Audiovisuais. Ambas trazem artigos sobre a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. O primeiro cap\u00edtulo, escrito por Sandra Chaher, enfoca o avan\u00e7o trazido pelo reconhecimento da viol\u00eancia simb\u00f3lica, que produz discursos enviesados sobre g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">J\u00e1 no segundo cap\u00edtulo, Rachel Moreno argumenta que no Brasil os movimentos sociais s\u00e3o historicamente ignorados pela m\u00eddia e, quando s\u00e3o mencionados, aparecem de forma criminalizada. Os meios excluem imagens de mulheres que n\u00e3o perten\u00e7am ao padr\u00e3o dominante de beleza, que significa ser jovem, loira e esbelta. O espa\u00e7o limitado e com representa\u00e7\u00f5es estereotipadas nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o traz consequ\u00eancias, aponta Moreno, como erotiza\u00e7\u00e3o infantil, desenvolvimento de dist\u00farbios alimentares (bulimia e anorexia) e a redu\u00e7\u00e3o da cidadania das mulheres ao <em>status<\/em> de consumidoras. Al\u00e9m disso, a autora comenta as implica\u00e7\u00f5es da aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o da m\u00eddia no Brasil, como monop\u00f3lios e oligop\u00f3lios na radiodifus\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">O cen\u00e1rio colombiano \u00e9 retratado no cap\u00edtulo escrito por Juliana Martinez. A autora argumenta sobre a import\u00e2ncia dos movimentos organizados para os avan\u00e7os nas discuss\u00f5es das pol\u00edticas p\u00fablicas de comunica\u00e7\u00e3o e g\u00eanero, como a <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/redcolombianadeperiodistasconvisiondegenero.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Red Colombiana de Periodistas com Visi\u00f3n de G\u00e9nero<\/a><\/span>. A Red trabalhou com a bancada legislativa de mulheres para aprova\u00e7\u00e3o da lei 1257\/2008, que busca eliminar todas as formas de viol\u00eancia contra as mulheres.\u00a0 J\u00e1 o caso mexicano \u00e9 discutido por Aim\u00e9e Veja Montiel, no quarto cap\u00edtulo. A autora enfatiza a necessidade de tornar transversal a Lei das Telecomunica\u00e7\u00f5es e Radiodifus\u00e3o com a perspectiva de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">A obra aborda as pol\u00edticas p\u00fablicas no Uruguai, com o texto de Lili\u00e1n Celiberti, para quem \u201cla democracia exige del Estado no solo velar por la distribuici\u00f3n equitativa de la riqueza sino procurar uma distribuici\u00f3n equitativa de la palabra\u201d (p. 70). Assim, a autora indica que, apenas com a pluralidade de vozes, diversidade e leis contra os monop\u00f3lios dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 poss\u00edvel o exerc\u00edcio do direito a informa\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a constru\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Encerrando a obra, o texto de Luisa Kislinger traz a conjuntura venezuelana, que envolve quest\u00f5es pol\u00edticas conflituosas. O marco regulat\u00f3rio da Venezuela foi apresentado em 2004, pelo ent\u00e3o presidente Hugo Chav\u00e9z, e elaborado no contexto da luta entre o presidente e os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, que faziam forte oposi\u00e7\u00e3o a ele. Por isso, a Lei de Responsabilidade Social do Radio e Televis\u00e3o \u00e9 pol\u00eamica e deve ser discutida pela sociedade. A partir dessa contextualiza\u00e7\u00e3o, Kislinger indica pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a \u00e1rea. Ela ressalta que ainda \u00e9 preciso consolidar a igualdade de g\u00eanero por meio de uma comunica\u00e7\u00e3o mais plural, a qual s\u00f3 ser\u00e1 realizada com o desenvolvimento e aprova\u00e7\u00e3o dos marcos regulat\u00f3rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong>Liberdade de express\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Um tema que permeia os cap\u00edtulos da obra \u00e9 a liberdade de express\u00e3o, muitas vezes usada como escudo pelos propriet\u00e1rios dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o para qualificar como tentativa de censura as discuss\u00f5es sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. Lilian Celiberti chama esse conflito de ir\u00f4nico, pois a liberdade de express\u00e3o devia colaborar com a garantia dos direitos dos cidad\u00e3os e n\u00e3o o contr\u00e1rio: \u201cla iron\u00eda es que el concepto de libertad de expresi\u00f3n, naci\u00f3 para proteger la calidad del debate p\u00fablico y garantizar la presencia del\/la ciudadano\/a com\u00fan en \u00e9l, y es precisamente este derecho a la comunicaci\u00f3n el que se restringe cuando no existen regulaciones que protejan el acceso de la diversidad de actores a los m\u00e9dios\u201d (p. 70).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">O livro serve de mat\u00e9ria prima para a pesquisa e milit\u00e2ncia ao delinear o panorama das pol\u00edticas p\u00fablicas de comunica\u00e7\u00e3o e g\u00eanero na Am\u00e9rica Latina. Frisa a import\u00e2ncia de estabelecer tais pol\u00edticas para a constru\u00e7\u00e3o da igualdade, por meio da elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia simb\u00f3lica que exclui a mulher, erotiza-a, e estabelece padr\u00f5es inating\u00edveis de beleza. Al\u00e9m disso, a obra traz documentos internacionais, como o Informe Global sobre a situa\u00e7\u00e3o das Mulheres nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, elaborado em 2011, pela Funda\u00e7\u00e3o Internacional de Mulheres na M\u00eddia (IWMF) e outras redes espalhadas no territ\u00f3rio latino engajadas com essa causa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Para estudantes, pesquisadores e pessoas interessadas no debate e consolida\u00e7\u00e3o dos direitos humanos destaca-se o apelo feito por Aim\u00e9e Veja Montiel: \u201casimismo, en mi experiencia he aprendido que es importante transformar nuestros resultados de investigaci\u00f3n en acciones pol\u00edticas, lo que \u00fanicamente sucede si existe um riguroso trabajo te\u00f3rico-metodol\u00f3gico detr\u00e1s. En este sentido, he aprendido que los datos cuantitativos tienen una importancia pol\u00edtica cuando tratamos de convencer a quienes toman las decisiones. Por eso, hago un llamado desde aqu\u00ed a ilustrarnos, a ser muy consistentes para transformar las estructuras institucionales y desmontar el poder patriarcal\u201d (p. 67).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><em>Na imagem, detalhe da capa do livro, de autoria de <\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><em>Alicia Cittadini. \u201cMurga\u201d. Serie Mu\u00f1ecotes desorientados.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><em>\u00d3leo 25 x 30 cm. Colecci\u00f3n de la artista. 2006. <span style=\"color: #0000ff\"><a style=\"color: #0000ff\" href=\"http:\/\/www.aliciacittadini.it\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.aliciacittadini.it<\/a><\/span><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2016 \u2016 \u2016\u00a0Emanuelly Falqueto\u00a0\u2016 \u2016 \u2016\u00a0 \u00a0 &nbsp; Quando pensamos nos direitos dos cidad\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, a aus\u00eancia de representa\u00e7\u00f5es ou retratos distorcidos nos leva a um denominador comum: a necessidade de regular os meios de comunica\u00e7\u00e3o, para conseguirmos ampliar as conquistas dos direitos humanos. 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