Sônia Lima

Sônia Lima representou o município de São Bernardo do Campo no Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e participou da gestão do sistema de recursos hídricos desde a criação do subcomitê Billings de 1998 a 2010. 

“Em São Bernardo do Campo, a gente vê as cabeceiras do Ribeirão dos Meninos, que são rios urbanos e verdadeiros canais de esgoto. Eu me lembro de ocasiões em que na Assembleia Legislativa os deputados diziam que São Bernardo não joga esgoto no rio. Eles não conhecem o caminho das águas”, conta. “Os esgotos passeiam pelos canais fluviais de São Paulo e voltam para a represa”, explica. 

Pesquisas indicam que a Represa Billings apresenta concentração de medicamentos de uso humano, alumínio e fósforo que chegam por canais de esgoto e transbordamento do Rio Pinheiros em enchentes. A contaminação prejudica o abastecimento doméstico e a preservação ambiental.

Para evitá-la, os gestores devem trabalhar em conjunto. Lima avalia que Estado, municípios e sociedade compartilham no comitê preocupações relacionadas a gestão de recursos, macrodrenagem, abastecimento e esgotamento das águas.

“Eu me lembro quando comecei a trabalhar no planejamento em 1973, quando se fez o primeiro plano metropolitano de desenvolvimento integrado no início da década 1970”, conta. “Havia uma tendência de crescimento demográfico altíssimo, mas não tinha água pra garantir o abastecimento futuro dessa população. Desde a década de 1970, tem se verificado a atratividade da região metropolitana de São Paulo, em emprego e habitação”. A expansão desencadeou o comprometimento das águas superficiais. Lima recorda que o plano de 1970 determinava que a metrópole de São Paulo deveria crescer de leste para oeste, porque do norte ao sul as cabeceiras de drenagem deveriam ser protegidas. 

Os municípios devem cumprir normas jurídicas de controle do uso e ocupação do solo para a proteção e produção de água nos mananciais. Mas, segundo Lima, as cidades nem sempre conseguem avaliar se suas ações e estratégias foram desenvolvidas de acordo com as normas, por dificuldade de obterem a expertise necessária. “Essa é uma questão crítica, um desafio para ser equacionado”, analisa.

Flávia Gomes Gasparini