Marcelo Rodrigues da Motta
Marcelo Rodrigues da Motta é arquiteto na Secretaria Estadual de Planejamento e Meio Ambiente e representa a prefeitura de Itapecerica da Serra no Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Sua área de atuação é a gestão urbana. Ele trabalha com o sistema e a política de recursos hídricos desde 1979. Atualmente é coordenador provisório do subcomitê Cotia-Guarapiranga.
Motta relembra que desde 1975, quando os municípios da grande São Paulo tiveram a lei 898/75 promulgada (disciplina o uso do solo para a proteção dos mananciais), os municípios não se integraram nas políticas em si. “Esse sistema de planejamento não vingou e a lei passou a ideia de ser algo que impedia o crescimento econômico dos municípios”, avalia Motta.
“Eu penso que falta ainda a população como um todo absorver a cultura da água”, entendida como conjunto de hábitos, disposições e visões sobre os desafios da sustentabilidade ambiental. Para Motta, isso depende da gestão do comitê, já que atitudes contrárias podem afastar a sociedade civil e os municípios da participação na tomada de decisão dos assuntos referentes à maior bacia da região, que é a do Alto Tietê.
Ele acredita que os municípios devem ser protagonistas e a sociedade civil deve se articular, tendo em vista a importância social dessa estrutura de gestão. “Até onde eu sei o comitê do Alto Tietê é o único que tem subcomitês, fóruns de debate e de levantamento das questões que contam com maior proximidade e participação da sociedade civil,” argumenta Motta.
Ele complementa que a ideia original do sistema é formar uma massa crítica participativa, democrática. “Eu acho que a participação da sociedade civil e dos municípios através dos subcomitês é imprescindível para que se perenize o sistema em si”. Para Motta, o comitê tem que ser um ‘provocador’, sustentando o fórum de discussão para refletir em outras instâncias.
Bruna Tastelli
