Lilian Sarrouf

Lilian Sarrouf é coordenadora técnica na área ambiental do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e representa o setor no Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT). Para ela, seu setor não possui envolvimento direto com a governança da água, mas agrega com opções de fornecimento diferentes, como águas de reuso e subterrânea, assunto sobre o qual a população ainda não possui muitas informações. 

“Nosso usuário ainda não tem essa percepção, ele associa a água com seu custo. Ações de conservação de água e uso de fontes alternativas ainda não estão tão implementadas, mas essa visão tem se modificado”, nota Sarrouf. Apesar da água possuir um custo, o indivíduo tem não apenas o direito de consumir, mas o direito de uma água de qualidade e com boa gestão, inclusive na substituição que ocorre já em alguns edifícios do país, como a da água potável para usos considerados viáveis.

Em prédios novos de São Paulo a água de chuvas é utilizada para irrigação e lavagens domésticas, por não demandar muito controle e ainda reduzir custos de condomínio. Porém, para Sarrouf, essa água não é considerada reuso, apenas um reaproveitamento, e as atuais atividades com esse método ainda não são a solução definitiva. “Uma das grandes preocupações do setor técnico foi ter a utilização do recurso da água de chuvas”, aponta. O processo avançou de modo que atualmente exige análise de viabilidade técnica e econômica. 

O setor da construção civil era visto como um “vilão da história hídrica”, segundo Sarrouf, por consumir recursos naturais. Entretanto, essa visão, atualmente, foi modificada pela atenção à sustentabilidade ambiental. “A estruturação atual do comitê é boa, mas ainda tem algo que não atrai a todos”. Sarrouf ressalva que, apesar do comitê possuir pautas voltadas para consumo e participação da sociedade, faltam direcionamentos e ações focados em edificações. 

“Nosso grande problema no avanço de tudo isso são as regulamentações. A gente não precisa de uma regulamentação para um edifício, mas para uma cidade, para que a gente possa ter criatividade para criar soluções coletivas”. Para Sarrouf, o setor sente carência de políticas que dêem diretrizes para a cidade, principalmente um olhar que pense o município como um todo, não individualmente em cada habitação. “Uma coisa que sentimos falta em termos de política são as solicitações individuais”, referente à questão de, por exemplo, piscinas em edifícios de São Paulo. Cada prédio possui a própria piscina, quando, para ela, seria muito mais viável ter uma água de reuso para uma grande piscina que todo o quarteirão possa utilizar, ou seja, não necessariamente a solução aplicada é a melhor. A visão coletiva para uma conclusão adequada a todos ainda é algo pouco abordado pelas legislações, e isso atrapalha a gestão hídrica do empreendimento.

João Pedro Voltarelli