Francisca Adalgisa da Silva
Francisca Adalgisa da Silva é diretora-presidente da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp (APU) e atua como coordenadora da Câmara Técnica de Educação Ambiental do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT). Sua principal vertente de trabalho é a sensibilização da sociedade sobre o tema água, para que seja possível desenvolver projetos educativos de acordo com o perfil da população que irá trabalhar.
Com a experiência adquirida em sua trajetória profissional, Francisca percebe que as pessoas têm uma falsa percepção de abundância da água, pois, se ela está todos os dias em suas torneiras – mesmo que não seja em grande quantidade – elas geralmente não se preocupam em saber de onde aquela água está vindo, como é tratada ou se há risco de algum dia se esgotar. “A sociedade acha que cabe ao governo encontrar as soluções e se ausenta dessa discussão da preservação dos recursos hídricos”, aponta.
Segundo ela, isso acontece no Brasil porque a gestão dos recursos hídricos, apesar de ser posta como uma política pública, não é vista como tal pelo governo, sendo tratada de maneira superficial. Com isso, a sociedade se ausenta das discussões sobre o tema e tapa os olhos para as questões importantes que afetam a vida cotidiana. Para ilustrar isso, Francisca cita como exemplo a crise hídrica de 2015, em que algumas faixas sociais acreditavam que não havia crise e o governo estaria enganando a população, ou então justificando o aumento da tarifa.
Ela aponta que a educação é a base para a solução de tais problemas, seja por meio da inserção de temas ambientais nas escolas com debates sobre gestão hídrica e/ou ações de impacto imediato. Isso hoje é um desafio: “a água é um tema transversal, assim como a educação ambiental, mas quando você vê as estruturas das escolas e as grades curriculares, não sobra muito tempo para o professor efetivamente se dedicar a esse tema”.
Estudos corroboram a visão de Francisca, como este feito por alunos da Universidade do Estado da Bahia que analisou como a educação ambiental tem sido inserida no currículo das escolas brasileiras, e constatou-se que é desenvolvida a partir de disciplinas afins (como ciências e geografia), projetos e iniciativas individuais do professor, ou de maneira interdisciplinar.
Fomentar a atuação do segmento sociedade civil é outra ação necessária que Francisca aponta para mudar o atual cenário de descaso com a água e melhorar a gestão dos recursos hídricos, já que as ONGs, movimentos, entidades e associações estão intimamente ligadas com pessoas que lidam diariamente com a falta d’água em suas residências. “É necessário então elaborar uma linguagem mais simples e acessível para a sociedade, utilizando desses instrumentos, que são as organizações sociais, para alcançar um número maior de pessoas para fortalecer a discussão”, sugere.
Uma comunidade ribeirinha, por exemplo, que não preserva o entorno do rio e joga resíduos in natura na água, precisa receber instruções sobre o impacto que está causando ao meio ambiente e o que podem fazer para melhorar a vida local. Portanto, para Francisca, sem o conhecimento sólido e a consciência crítica da população não haverá mobilização social para que ocorram mudanças efetivas no sistema hídrico.
Bruna Tastelli
