A tecnologia atual utilizada para redescobrir a História Antiga, até mesmo a do famoso Tutancâmon

     Tumbas escuras, pirâmides misteriosas, múmias... Assustador, não? Os egiptólogos discordam. Esses arqueólogos especialistas em Egito Antigo vêem tumbas e pirâmides como valiosas fontes de informações sobre a vida, as crenças e os costumes do povo egípcio que viveu milênios atrás.

   Fãs do Egito Antigo

   A milenar cultura egípcia, com o passar dos anos, foi se transformando em ruínas, e muitas de suas características foram perdidas. É nesse momento que entra o egiptólogo. O trabalho dele é descobrir vestígios que possam recontar uma história que se passou há séculos, muitas vezes milênios, por meio de escavações, técnicas e muita pesquisa.

   Por sorte, o clima seco do Egito propicia a conservação dos objetos. Devido a esse motivo, escavações feitas na região encontram objetos milenares, mas que ainda estão em condições de serem estudados. Só que o trabalho arqueológico não corresponde apenas à escavação; na verdade, as escavações representam apenas o primeiro passo. A maior parte do trabalho é feito em bibliotecas e laboratórios, onde o material encontrado durante as escavações é processado.

   Descobrindo o passado

   Todo trabalho arqueológico se utiliza de diversas técnicas que recuperam o passado perdido. Um ponto muito importante é a tradução dos textos.  Vários objetos na tumba têm inscrições. A menção de um parente, por exemplo, ajuda a descobrir laços familiares.

   Já os estudos do culto funerário são feitos a partir dos objetos encontrados nas tumbas: estátuas, restos usados na mumificação, ungüentos, óleos... Análises químicas são realizadas nesses objetos, por exemplo, para descobrir que tipo de óleo ou de resina foi usada, ou que tipo de pigmento estava presente. A partir disso, é possível determinar o período em que a “múmia” viveu e a tecnologia usada naquela época.

   Exames também são feitos nas múmias: raio-x, tomografia e exame de DNA. Esse último não é sempre possível, pois o processo de mumificação prejudica a técnica, já que o uso de resina e de bálsamos destrói o DNA. Além disso, é difícil encontrar quantidade suficiente que forneça algum resultado.

   De acordo com o professor Antonio Brancaglion Junior, especialista em egiptologia e professor do Departamento de Arqueologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro, “a arqueologia usa essas tecnologias novas para complementar as informações que tira dos objetos”. O professor já trabalhou analisando cenas de tumbas escavadas (epigrafia), além de tradução de hieróglifos e textos.

   Já exames como raio-x e tomografia podem identificar sexo, idade, causa da morte, doenças congênitas e más formações. É possível também, a partir desses exames, perceber como foi realizada a mumificação e assim conhecer melhor a religião: se existe resina dentro do crânio, se há óleos artificiais na múmia, se existem amuletos ou jóias no corpo... 

   A diferença entre os exames feitos nas múmias e aqueles realizados nas pessoas vivas é basicamente a quantidade de raio-x emitida. O exame é o mesmo, mas é necessária uma maior quantidade de raios-x para conseguir passar pelas bandagens, pela pele ressequida e pelos milhares de anos "vividos".


Última atualização ( Qua, 05 de Maio de 2010 15:49 )