Dois cliques e um pouco de conversa
Hackerspaces viram onda para amantes de internet e tecnologia no mundo

Cláudio Miklós, secretário geral do Garoa Hacker Clube de São Paulo (garoa.net.br) desmente o mito. “Hackerspaces são espaços coletivos e livres em formato de laboratório para desenvolvimento de projetos de eletrônica e outros. Hackerspaces nada tem a ver com os grupos que realizam invasões de sites ou outras ações criminosas, todos são basicamente clubes de eletrônica e tecnologia”, afirma. Valmir Júnior, frequentador de hackerspaces, fica insatisfeito com a confusão, porém acredita que esse preconceito pode ser passageiro. “Ainda há muitos mitos sobre a terminologia ‘hacker’, mas acredito que os clubes contribuem para modificar essa ideia e mudar essa percepção. Originalmente, o hacking consiste em modificar dispositivos, produtos (seja software ou hardware) com a intenção de melhorar, ampliar a funcionalidade e o desempenho”, declara Valmir. De fato, a associação dos hackerspaces com os vilões da internet é muito comum.
De acordo com o co-fundador e atual presidente do Garoa, Felipe “Juca” Sanches, hackerspaces são espaços comunitários com infraestrutura, que propicie execução de projetos pessoais, tipicamente relacionados a eletrônica, e desenvolvimento de hardware, mas não restrito a apenas estas atividades. “São também espaços propícios para a socialização, sendo ponto de encontro para amantes de tecnologia trocarem ideias e colaborarem em projetos conjuntos”, completa Juca. Valmir concorda com a afirmação de Felipe: “os pontos positivos são vários, como a independência, a criatividade e colaboração, assim temos um ponto de encontro de pessoas diversas especialidades”.
Não existem restrições para participar de um hackerspace. Qualquer um que goste de informática e tecnologia é aceito, mesmo aqueles que gostariam de aprender mais sobre os assuntos. Anchises Moraes, do Conselho Fiscal do Garoa Clube, aponta que não há tópico que não possa ser discutido. “Qualquer tipo de assunto, desde novas e velhas tecnologias até assuntos acadêmicos, passando inclusive por cultura geek, cyber cultura, cyber ativismo, arte digital, ciências em geral, engenharia, programação, e tudo mais o que vier a mente dos presentes”, diz.
Hoje, no mundo, existem por volta de quinhentos hackerspaces; no Brasil são sete, quatro apenas no estado de São Paulo. Eles são, além do Garoa: Mirako Concept (www.mirako.org), Fundação.cc (www.fundacao.cc) HackerspaceSC (https://groups.google.com/group/hackerspacesc), HackerspaceRIO (https://groups.google.com/group/hackerspace-rio), Laboratório Hacker de Campinas (www.lhc.net.br), Arduino-brasilia (https://groups.google.com/group/arduino-brasilia), WeekendTinkers (www.weekendtinkers.net) e Hackerspace_sjc (www.hackerspacesjc.org). Pela empolgação e dedicação dos membros e entusiastas dos clubes brasileiros, vale a pena conhecer. “Loggin off”.




